Bom dia
Peço desculpa de vos incomodar, mas preciso desabafar, pois no passado dia 18 de Julho de 2010, cerca da meia-noite faleceu nos meus braços o meu fiel companheiro, de grandes caminhadas á mais de 11 anos.
Deixou um grande vazio na vida da nossa família.
Atila foi mais de do que um simples cão, foi a prova viva, que este tipo de raças podem ser generosas, perfeitamente domesticáveis e dotados de um carácter invejável até para alguns seres humanos.
Foi um ícone na sua raça em termos do que é possível fazer em Obidence, conseguindo o COB pelo CPC - Clube Português de Canicultura e o primeiro, na sua Raça em Portugal.
Este foi o cão da minha vida, e não me envergonho de confessar que adormecia a chorar e a chorar acordei, num misto de emoções, permanentemente há volta na minha cabeça.
Penso que todos sabem que uma parte da minha vida, está ligada aos cães e há tantos anos como os que tinha de vida o meu amigo, porque foi por ele que resolvi, a esta tarefa me dedicar, e desta forma me apercebi que alguns, são realmente especiais e que todos o são para os seus donos.
Depressa me percebi que quando me intitulava dono do meu cão, era única e exclusivamente uma designação meramente formal, pois por baixo desta escondia-se uma profundo relação de amizade, que lhe escondi até não poder mais, pois assim ditam as regras do relacionamento dentro da lógica da matilha.
Para o fim a nossa relação modificou-se, e ele descobriu em mim um amigo, um irmão eu sei lá.
Confesso que não vos devia revelar esta faceta, pois pareço contradizer-me em tudo o que vos disse e continuarei a dizer em termos de psicologia canina, mas reparem que tudo isto é um jogo em que só no final eles se apercebem, que nós os adoramos e estamos dispostos a tudo.
No final estaremos ao seu lado e se necessário tomando as decisões mais difíceis para que morram com a mesma dignidade com que sempre viveram, mesmo que depois nos fique um sabor amargo do remorso ou sentimento de culpa.
Foi assim que este meu amigo partiu nos meus braços e sem dor nem mais sofrimento, pois tinha chegado a hora de por o meu egoísmo de parte e libertá-lo .
Quanto a mim estou destroçado, e confuso pois há quem diga que um cão e simplesmente um cão.
A todos os que assim pensam posso vos assegurar que não, e quem vos diz isto é um treinador de cães perfeitamente objectivo e lógico na relação com os mesmos, mas ciente do grande paradoxo de tudo isto ou seja o que se fala e o que se sente.
O que eu sinto agora é uma dor imensa pela partida do meu amigo, e vontade de convosco partilhar este momento pois sei que todos entendem e alguns já passaram certamente pelo mesmo.
A todos o meu obrigado pelo tempo que estiveram a ler esta carta de despedida, e por favor dediquem aos vossos amigos algum tempo das vossas vidas.
Obrigado Átila, meu querido amigo.
MB
